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Contador em Tóquio que fala inglês: A armadilha dos 400 mil ienes e como resolver seus impostos por uma ninharia

Se tem uma coisa que intermediário adora fazer quando pega investidor estrangeiro no Japão, é tocar o terror. Os caras chegam com aquele papo furado: “Se você não contratar um contador pagando mensalidade fixa pra cuidar do seu livro caixa, a Receita Federal japonesa (NTA) vai arrombar sua porta e fechar sua empresa!” Falam como se abrir uma empresa no Japão e não torcer dinheiro todo mês com contador fosse crime gravíssimo. É de dar risada.

Se você parar cinco minutos pra analisar friamente, percebe a pegadinha: se a sua empresa no Japão não tem operação comercial ativa, não tem funcionários e você (como diretor) não tira um centavo de Pró-Labore — ou seja, é uma empresa criada puramente como holding pra comprar um imóvel, recolher aluguel ou ficar congelada em modo offshore —, pagar dezenas de milhares de ienes todo mês pra um escritório de contabilidade é assinar atestado de otário com firma reconhecida.

Quer entender como essa máfia fatura em cima dos gringos? Dá uma pesquisada no Google por “English-speaking tax accountant Tokyo”. A maioria nem coragem de colocar a tabela de preços no site tem. E os poucos que têm a audácia de publicar… bom, os valores são de cair os carretéis da carroça.

Dá uma olhada na Shinsei International Tax Accountant Corporation: se você for pedir uma consultoria em japonês, custa 20.000 ienes por hora. Falou inglês? O preço pula na hora pra 30.000 ienes a hora (mais de R$ 1.000 por 60 minutos de conversa — preço de jantar estrelado Michelin). E não para por aí: mesmo que sua empresa passe o ano inteiro parada com faturamento pífio, eles te cobram 22.000 ienes por mês de retainer (mensalidade), mais 165.000 ienes pra fazer o balanço no final do ano (Kessan), mais 110.000 ienes pra declarar o imposto sobre consumo (Consumption Tax). Somando essa brincadeira: você não fez nada o ano todo e já queimou de 400 a 500 mil ienes (mais de R$ 15.000 a R$ 20.000) só em papelada. Doeu no bolso só de ler, né?

Aí temos a BPS International Tax Corporation, que faz aquele marketing bonito: “Desconto de 33.000 ienes na abertura da empresa!”. Lindo, né? Só que nas entrelinhas você descobre a pegadinha: você é obrigado a assinar o plano anual deles. Mensalidade de 27.500 ienes mais 99.000 ienes de taxa de fechamento anual. Resultado: você fica preso num contrato de 430.000 ienes por ano sem chance de escapar.

Por que eles cobram essas facadas? Porque eles pegam pacotes contábeis desenhados pra empresas de grande porte — que vendem produtos, gerenciam estoque, têm dezenas de funcionários, processam folha de pagamento e precisam prestar contas à imigração pra renovar vistos — e empurram goela abaixo de investidores estrangeiros que só queriam comprar um apartamento em Tóquio. É a definição perfeita de vender canhão pra matar mosca (e cobrar o preço do canhão).


Mas afinal: holding sem operação precisa de contador mês a mês?

Seção intitulada “Mas afinal: holding sem operação precisa de contador mês a mês?”

Pra responder isso, você precisa entender de onde vem a verdadeira dor de cabeça fiscal de uma empresa no Japão. Resumidamente, de duas coisas:

  1. Imposto de Renda retido na fonte (Withholding Tax) sobre salários.
  2. Encargos trabalhistas e previdência social (Shakai Hoken / Kousei Nenkin).

Se a sua empresa foi aberta apenas pra deter ativos ou funcionar em modo offshore, o Pró-Labore do diretor (Yakuin Hoshu) é definido como ZERO (役員報酬ゼロ). Você não contrata ninguém. Logo, a declaração de previdência é ZERO, e a retenção de imposto na fonte é ZERO.

Sabe o que sobra no livro caixa da sua empresa o ano inteiro? Uma ou duas entradas de aluguel por mês e o débito automático da taxa de administração do imóvel. Só. Trezentos e sessenta e cinco dias por ano com a conta bancária praticamente imóvel.

Nessa situação, pagar 20 a 30 mil ienes por mês pra um contador é, literalmente, pagar pro cara abrir seu extrato bancário uma vez por mês, olhar pra uma folha em branco e dar um sorriso.


O Método Descomplicado em 3 Passos (Sem Falar Japonês e Gastando Quase Nada)

Seção intitulada “O Método Descomplicado em 3 Passos (Sem Falar Japonês e Gastando Quase Nada)”

Você não precisa virar especialista em direito tributário japonês e muito menos aprender a navegar nos sistemas governamentais arcaicos em kanji. O caminho das pedras pra resolver isso é infinitamente mais simples:

1. Contabilidade Automatizada com Software (Custo quase zero)

Seção intitulada “1. Contabilidade Automatizada com Software (Custo quase zero)”

No Japão, usa-se o freee, um software contábil em nuvem líder de mercado. Você conecta o freee diretamente com o net banking da sua empresa (como o GMO Aozora Bank ou DOCOMO SMTB Net Bank). Toda vez que entra um aluguel ou sai a taxa de condomínio, o sistema puxa o extrato automaticamente. Como são 1 ou 2 lançamentos por mês, você dá um clique de confirmação e pronto. Esquece o resto do ano.

Empresas no Japão só precisam entregar a declaração de imposto pra Receita (NTA) uma vez por ano, no prazo de até dois meses após o fim do exercício fiscal. Isso é o chamado Kessan (決算). A regra de ouro: Jamais assine contrato mensal! Quando chegar o final do ano fiscal, você vai em plataformas de freelancers locais no Japão (como coconala ou 税理士ドットコム) e contrata um contador tributário independente (Zeirishi - 税理士) apenas para o serviço avulso (Spot / スポット決算). O preço de mercado pra esse serviço pontual varia entre 50.000 e 100.000 ienes. Fez o serviço, pagou, tchau e bênção.

3. Comunicação 100% por E-mail (Zero Barreira de Idioma)

Seção intitulada “3. Comunicação 100% por E-mail (Zero Barreira de Idioma)”

No fim do ano fiscal, você exporta os dados do freee em Excel, junta os PDFs dos extratos bancários, joga no DeepL / Google Tradutor e manda um e-mail pro contador local:

“Somos uma holding imobiliária sem funcionários e sem pró-labore. Aqui estão os dados do ano. Por favor, façam a declaração anual do imposto corporativo e o envio eletrônico via e-Tax.”

O contador gera as guias, envia pro governo pelo sistema eletrônico oficial e te manda de volta o comprovante e as guias de pagamento. Você não precisa nem levantar da cadeira.


Categoria Método “Intermediário pra Gringo” Método Inteligente (freee + Spot)
Mensalidade Contábil 22.000 a 30.000 JPY/mês 0 JPY/mês
Fechamento Anual (Kessan) 100.000 a 165.000 JPY 50.000 a 100.000 JPY (taxa única)
Declaração de Impostos 110.000 JPY (Consumption Tax extra) Incluso no Spot (ou isento por baixo volume)
Custo Total Anual 400.000 a 550.000 JPY 50.000 a 100.000 JPY
Economia Baseline Redução de mais de 80% nos custos

Muitos estrangeiros acham que imposto de empresa no Japão funciona igual ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), com prazo fixo entre fevereiro e março. Mentira.

Quando você abre uma empresa no Japão, você escolhe livremente no Estatuto Social (Teikan) quando termina o seu ano fiscal. Pode ser em março, setembro, dezembro… o mês que você quiser.

A regra da Receita Japonesa é clara: o prazo limite para declarar e pagar os impostos corporativos é de exatamente dois meses após o último dia do seu ano fiscal.

  • Exemplo 1: Se seu ano fiscal fecha em 31 de março, seu prazo final de declaração e pagamento é 31 de maio.
  • Exemplo 2: Se fecha em 30 de setembro, o prazo é 30 de novembro.
  • Exemplo 3: Se fecha em 31 de dezembro, o prazo é 28 de fevereiro.

Você não precisa surtar com seis meses de antecedência. Basta pegar o dia seguinte ao fechamento do seu ano fiscal, exportar os dados e acionar o contador avulso. A janela de dois meses é mais do que suficiente.


Passo 1: O dia a dia durante o ano (Manutenção ZERO)

Seção intitulada “Passo 1: O dia a dia durante o ano (Manutenção ZERO)”

Assine o plano básico do software freee (custa cerca de 2.000 a 3.000 JPY/mês). Vincule a conta bancária jurídica da empresa. Conforme as transações entram:

  • Recebimento de aluguel: Classifique como 売上 (Vendas/Receita).
  • Taxa de administração do prédio: Classifique como 支払手数料 (Comissão/Taxa de Serviço).
  • Imposto Predial (IPTU local / Kotedai Seitsai-zei): Classifique como 租税公課 (Impostos e Taxas).

Com 1 a 2 lançamentos por mês, você gasta no máximo 15 minutos por ANO cuidando disso.

Passo 2: O dia seguinte ao fim do exercício fiscal

Seção intitulada “Passo 2: O dia seguinte ao fim do exercício fiscal”

Acesse o painel do freee e baixe dois relatórios em PDF ou Excel:

  1. Balancete de Verificação (残高試算表 - Zandaka Shisan-hyo)
  2. Razão Geral (総勘定元帳 - Sokkanjo Motocho)

Baixe também o arquivo PDF dos extratos do seu net banking dos últimos 12 meses.

Acesse o coconala (o Fiverr do Japão) ou o 税理士ドットコム (Zeirishi.com). Pesquise exatamente por este termo: 法人決算申告スポット (Declaração Final Corporativa Avulsa).

Filtre por profissionais com nota 4.8+ e ofertas na faixa de 50.000 a 100.000 ienes. Envie uma mensagem usando este modelo em japonês (basta copiar e colar):

初めまして。法人決算申告のスポット対応をお願いしたく、ご連絡いたしました。 弊社は【不動産賃貸管理】をメインとする法人です。 ・役員報酬:ゼロ ・従業員:なし ・会計ソフト:freee入力済み ・年間取引数:極めて少ない e-TaxおよびeLTAXによる電子申告を含めたお見積もりと、納期のスケジュールをご提示いただけますでしょうか。よろしくお願いいたします。

(Tradução do que você está mandando: “Olá. Gostaria de um orçamento para declaração corporativa avulsa. Somos uma empresa de gestão imobiliária, sem pró-labore, sem funcionários, com dados já digitados no freee e altíssimo baixo volume de transações. Favor enviar orçamento cobrindo e-Tax e eLTAX.”)

O contador vai perceber na hora que você sabe o que está fazendo e não vai tentar te dar rasteira.

Passo 4: Fechamento, e-Tax e Pagamento dos Impostos

Seção intitulada “Passo 4: Fechamento, e-Tax e Pagamento dos Impostos”

Em 1 a 2 semanas, o contador fará os cálculos de depreciação do imóvel (Depreciation), preencherá os formulários oficiais (Beppyo 1, Beppyo 4) e fará o envio direto para a Receita Federal Japonesa através do e-Tax (Imposto Nacional) e eLTAX (Imposto Local).

Você receberá de volta o comprovante de envio eletrônico (Jushin Tsuchi) e os códigos de pagamento dos impostos.

Você terá apenas duas contas para pagar:

  1. Imposto Corporativo Nacional (Houjin-zei / 法人税): Se a depreciação do imóvel abater todo o seu lucro e a empresa fechar no prejuízo contábil, esse valor será de 0 ienes.
  2. Imposto de Residência Corporativo (Houjin Jumin-zei Kintowari / 法人住民税均等割): É o “imposto de existência” cobrado pelo município/província (ex: Tóquio). Mesmo que a empresa não fature nada, existe uma taxa fixa anual obrigatória de aproximadamente 70.000 ienes.

Como pagar? Entre no net banking da sua empresa no Japão, vá na opção Pay-easy (税金・各種料金払込), digite os números da guia enviada pelo contador e liquide a conta online. Fim do jogo.


1. Achar que precisa ter o cartão “My Number” ou leitor NFC

Seção intitulada “1. Achar que precisa ter o cartão “My Number” ou leitor NFC”

Muitos investidores travam achando que precisam emitir o cartão de identidade japonês (My Number Card), comprar leitor de cartão ou ter visto de residência pra fazer declaração eletrônica. Não precisa. Quando você contrata um Zeirishi (contador credenciado), ele utiliza o próprio certificado digital de contador para fazer o envio oficial pelo canal de representação do e-Tax. A Receita aceita a validação dele. Você não precisa fornecer documento pessoal nenhum do Brasil.

2. Caia fora do “empurrômetro” de contrato mensal

Seção intitulada “2. Caia fora do “empurrômetro” de contrato mensal”

Depois que o contador entregar o serviço, é muito comum ele mandar um e-mail simpático dizendo: “Podemos fechar uma assessoria mensal pra acompanhar seu próximo ano por apenas 15.000 ienes/mês?”

Aprenda a dizer não de forma elegante. Responda com essa frase em japonês:

弊社は取引数が極めて少ないため、次回もスポットでお願いしたく存じます。

(Tradução: “Como nossas transações são extremamente reduzidas, preferimos solicitar novamente o serviço avulso/spot no próximo ano.”)

Pronto. Assunto encerrado, bolso protegido e compliance 100% em dia no Japão.

Tradução assistida por IA. Em caso de dúvidas, consulte as versões em chinês ou inglês.